Como diagnosticar e tratar o Síndrome do Túnel do Cárpico: O meu Fisioterapeuta pode ajudar?

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Publicado em:
19 Novembro, 2021

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O que é o Síndrome do Túnel do Cárpico?

O Síndrome do Túnel do Carpo (STC) é a neuropatia mais comum do membro superior e é puramente descrita como a compressão do nervo mediano na sua porção distal no nosso punho, nomeadamente numa área chamada Túnel do Carpo.(1)

A maioria dos casos de STC são idiopáticos e estão relacionados com predisposição genética; obesidade; mecanismos de excesso de uso (vulgo overuse) ou movimentos repetitivos do punho e braço; doenças autoimunes. Os sintomas mais comuns são dormência ou formigueiro nas mãos e/ou dedos, dor na mesma região e, nos estados mais avançados de STC, défices acentuados de força ao agarrar objetos com a mão.(1,2)

Como diagnosticar

Então, como diagnosticar corretamente uma STC? Não há uma avaliação gold standart para STC como há, por exemplo, para uma rotura muscular em que a ressonância magnética tem uma enorme precisão no diagnóstico. O diagnóstico baseado em exames complementares de diagnóstico como imagiologia ou estudos de condução nervosa podem ser importantes, mas tendem a ser mais caros, mais dolorosos e não tão precisos como o diagnóstico clínico. Só se deve recorrer a este tipo de ferramentas se o diagnóstico clínico não for conclusivo, o que é bastante difícil devido à considerável precisão deste.(2,3)

Em Fisioterapia, o tipo de avaliação que fazemos é baseada em exames físicos ou questionários subjetivos. Este diagnóstico clínico para um STC é uma combinação de fatores de diferentes categorias de avaliação:

1º – Manobras Provocativas
2º – Testes sensoriais
3º- Escalas e Questionários
4º- Mapas/Diagramas de Mão

As Revisões sistemáticas mais recentes (o mais alto grau da literatura de evidências científicas) apontam-nos para esta direção de avaliação. Como Fisioterapeutas, baseamos o nosso raciocínio na avaliação que fazemos. É por isso que um fisioterapeuta pode ajudá-lo a diagnosticar uma STC e à posteriori, acompanhar um programa de tratamento.(2,3)

O Fisioterapeuta pode ajudar?

Após o diagnóstico de STC, a Fisioterapia pode ser uma mais valia para tratar e capacitar o paciente a aprender a gerir a sua condição. Normalmente, uma STC pode ser tratada de forma conservadora (com Fisioterapia, talas de contenção e injeções de corticosteroides) ou cirúrgica, sendo que a gravidade dos sintomas é que deverá guiar para a decisão clínica. Resumidamente, um Fisioterapeuta costuma ter a seguinte abordagem terapêutica:(1,2,4)

  • Terapia Manual: Deslizamento Neural, Tração Articular, Mobilização Passiva e Alongamento.
  • Exercício Clínico: Mobilizações Articulares Ativas e Neurais, alongamento ativo e força muscular global bem como, na função agarrar/apertar.
  • Educação para autogestão.

A Fisioterapia deve ser vista como a primeira opção de tratamento para a gestão de uma STC. Estudos de médio e longo prazo demonstraram que a cirurgia não tem resultados melhores do que a Fisioterapia após 3,6 e 12 meses após o dia em que o procedimento foi feito. Em curto prazo, podemos assumir que a Fisioterapia é mais eficaz em termos de função, atividades diárias e níveis de força do apertar/agarrar.(8)

As técnicas neurodinâmicas mostraram-se úteis nestes pacientes, especialmente quando combinadas com outros procedimentos não cirúrgicos.(9) Esse tipo de deslizamento neural é feito para mobilizar o sistema nervoso periférico com o objetivo de reduzir a dor e a rigidez em áreas doloridas.(6) Quando comparada aos procedimentos de eletroterapia, a terapia manual – mobilizações acessórias na região cárpica e mobilizações neurais – é considerada mais eficaz na redução da dor e no estado funcional do paciente.(4)

A fraqueza ou falta de força no movimento de agarrar/apertar objetos com a mão é outro achado clínico de extrema relevância que deve constar no planeamento de tratamento de um programa de Fisioterapia.
O Fisioterapeuta deve considerar educar os pacientes nesse âmbito, para que eles possam replicar os exercícios em casa e, se possível, melhorar a função nessas tarefas.(7)

Alguns ajustes ergonómicos também se podem verificar como uma conduta benéfica para gerir condições de STC. Modificar o seu local de trabalho, ir ajustando e variando a postura durante o o mesmo, fazer pausas e induzir variabilidade de movimento são algumas das atitudes laborais a promover para obter resultados satisfatórios.(10)

Autor

João Pereira, Fisioterapeuta no CMM-Brentford, Londres.

Revisão da Literatura

1.Wipperman J., Goerl K., (2016). Síndrome do Túnel do Carpal: Diagnóstico e Gestão. Sou médico da Fam.
2.Pádua L, Coraci D, Erra C, Pazzaglia C, Paolasso I, Loreti C, Caliandro P, Hobson-Webb LD. (2016). Síndrome do túnel do carpo: características clínicas, diagnóstico e gestão. Lancet Neurol.
3.Dabbagh, A., Macdermid, Joy C., Yong, J., Macedo, L. Packham, T. (2020). Diagnóstico síndrome do túnel do carpo: precisão de teste diagnóstico de escalas, questionários e diagramas de sintomas manuais – Uma Revisão Sistemática. Revista de Fisioterapia Ortopédica & Esportiva®.
4.Baysal O, Altay Z, Ozcan C, Ertem K, Yologlu S, Kayhan A. (2006) Comparação de três protocolos de tratamento conservadores na síndrome do túnel do carpo. Int. J. Clin. O Pract.
5.Bardak A, Alp M, Erhan B, Paker N, Kaya B, Onal A. (2009). Avaliação da eficácia clínica do tratamento conservador no manejo da síndrome do túnel do carpo. Adv. Ther.
6.Linek, P., Wolny, T. (2019). A terapia manual baseada em técnicas neurodinâmicas é eficaz no tratamento da síndrome do túnel do carpo? Um ensaio controlado randomizado.
7.Singh, G. K., Srivastava, S. (2020) Força de aderência dos trabalhadores ocupacionais em relação à síndrome do túnel do carpo e fatores individuais. Int J Occup Saf Ergon.
8.Fernández-de-las-Peñas, C.,Cleland, J., Palacios-Ceña, M., Fuensalida-Novo, S., Pareja, Juan A.; Alonso-Blanco, C. (2017). The Eficácia da Terapia Manual Versus Cirurgia em Função Autorreto, Alcance Cervical de Movimento, e Pinch Grip Force na Síndrome do Túnel do Carpo: Um Ensaio Clínico Randomizado. Revista de Fisioterapia Ortopédica & Esportiva.
9.Wolny, T., Linek, P. (2018). Técnicas neurodinâmicas versus terapia “falsa” no tratamento da síndrome do túnel do carpo; um ensaio randomizado controlado por placebo. Arquivos de Medicina Física e Reabilitação.
10.Burke F.D., Ellis J., McKenna H., Bradley M.J. (2003) Gerenciamento da atenção primária da síndrome do túnel do carpo. Revista médica de pós-graduação.

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