Como posso viver até aos 100 anos?

Quem não gostaria de viver até aos 100 anos com qualidade de vida e livres de qualquer patologia?

Se este for um objetivo para o leitor, neste artigo vamos abordar este tema de forma que aumentem as vossas probabilidades de atingirem este objetivo. Aviso: nada do que vai ser dito é uma novidade! Apenas uma revisão com base científica e uma breve compilação de estudos para o motivar a seguir este Elixir da Juventude

Para atingir altos níveis de qualidade de vida, devemos compreender isto como uma tarefa multifatorial.

Existe alguns fatores que não conseguimos controlar, mas existem outros que podemos considerar modificáveis. Entre os não modificáveis, destacamos claramente a genética, idade e o sexo; entre os modificáveis, destacamos a atividade física, bem como a nutrição, o sedentarismo e controlo emocional.(1) 

Como foi referido, e pelo facto de não ser um fator isolado, o exercício físico per se não será suficiente para garantir a qualidade de vida de um indivíduo, mas é consideravelmente dos mais importantes que podemos controlar. Está descrito e provado que o sedentarismo aumenta a probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes tipo II, hipertensão, osteoporose e depressão. Por outro lado, níveis consideráveis de atividade física reduzem o risco de doenças e condições crónicas.(2,3,4)

Estudos comprovam que adultos mais velhos que seguiram um plano de exercício físico de intensidade moderada obtiveram melhorias em vários domínios referentes à qualidade de vida, nomeadamente, na função física, emocional, mental, social e dor.(5) Grant el al, concluíram que exercícios aeróbios em populações superiores a 50 anos leva ao aumento da percentagem de oxigenação dos tecidos, frequência cardíaca máxima e tolerância à fadiga.(6) De realçar também que a associação entre níveis consideráveis de atividade física e controlo emocional tem sido cada vez mais consolidada com as mais recentes pesquisas, principalmente em indivíduos que experienciam Depressão ou Ansiedade. As atividades físicas de lazer levam a uma maior aderência a longo prazo ao exercício proposto, pelo que quando esta atividade física pode, e deve, ir em conta às preferências do indivíduo.(8)

Fragilidade é descrita como o estado de vulnerabilidade fisiológica e capacidade reduzida de controlar fatores externos. Nos adultos mais velhos, segundo Freids, (9) esta é definida após a observação de 3 ou mais característica do seguinte fenótipo: fadiga, perda de peso inadvertida, fraqueza, letargia, perda de apetite e baixo nível de atividade física. Cada vez mais é um termo mais usado nas avaliações médicas, uma vez que é uma condição que predispõe para variadas patologias, estando também mais associada à idade biológica que à idade cronológica do indivíduo.(10,11) Para reverter ou atrasar a Fragilidade nestas populações, exercícios de treino de força e suplementação devem ser a parte mais importante de um programa de intervenção implementada ao paciente.(7)

Feito este tipo de levantamento, está mais que provado que não existem segredos para chegar aos 100 anos… é acreditar na simbiose entre o nosso código genético e o nosso comportamento face aos fatores modificáveis que foram descritos. Em jeito de conclusão, a adesão a programas de nutrição e de atividade física são essenciais para o envelhecimento ativo e para atingir a qualidade de vida que desejamos na parte final da nossa passagem.

Como Fisioterapeutas, temos as ferramentas para implementar programas de exercício nos adultos mais velhos e promover um estilo de vida ativo. No final de contas, ninguém que ser tratado como um “velho”, mas sim como um jovem com muita experiência! 

Autor

João Pereira, Fisioterapeuta no CMM-Brentford, Londres

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