9 Dicas para diminuir a probabilidade de cair

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Publicado em:
10 Agosto, 2021

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Artigo para pessoas com mais de 65 anos

Segundo o Instituto Nacional de Estatística, em Portugal o número de pessoas idosas – indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos – tem aumentado ao longo dos anos.(1)
Mais de um terço sofre pelo menos uma queda por ano e em caso de doença cognitiva ou historial de quedas o risco duplica ou triplica.(2,3) Os fatores de risco de queda são todos os fatores que aumentam a possibilidade de ter uma queda, se os conhecer pode reduzi-los e diminuir a probabilidade de cair.

Fatores de risco do indivíduo:

Alterações da visão, diminuição do equilíbrio e força muscular e o medo/evitamento da queda são as principais razões para ter uma queda.(4.5)

  1. Visão: deve recorrer a uma consulta de Oftalmologia e quando prescrito usar óculos/lentes de contacto ou fazer qualquer outro tratamento aconselhado.
  2. Equilíbrio e força muscular: a Fisioterapia pode ajudar com uma intervenção específica e adaptada às suas necessidades, gostos e objetivos, geralmente nestes casos com o objetivo de melhorar o seu equilíbrio, força e coordenação.(2,4,5)

    A prática regular de exercício físico permite ter um envelhecimento mais ativo, com maior qualidade de vida, diminuição de várias doenças e prevenção de quedas.(6)
    Segundo orientações internacionais, para esta faixa etária é aconselhada por semana a prática de pelo menos 150 minutos de intensidade moderada (ex: caminhada rápida) ou 75 minutos de intensidade vigorosa (ex: subir e descer escadas a uma velocidade rápida) ou uma combinação de ambos (ex: pode dividir em períodos de 10 min).(6)

    Em algumas situações a diminuição do equilíbrio pode ter outras causas, por exemplo pode estar relacionado com o ouvido interno/sistema vestibular, após a avaliação e caso seja necessário será reencaminhado/a para o profissional mais adequado.(7)
  1. Medo/evitamento da queda: Sabia que, apenas o facto de ter medo pode estar a aumentar o seu risco de cair? Para além disso, já pensou nas atividades que gostava de fazer e foi acabando por deixar de realizar por medo/receio de cair ou falta de confiança? Geralmente após o início da Fisioterapia e conforme se sinta com maior capacidade para realizar as suas atividades diárias este medo tende a diminuir e a sentir-se mais confiante.(6)
  1. Calçado e vestuário: o calçado deve ser adequado e manter um bom rasto, deve preferir sapatos em vez de chinelos ou meias. Evitar calças ou saias/vestidos muito compridos que afetem o caminhar.
  1. Auxiliares de marcha: devem estar em condições de segurança e ajustados a quem os utiliza, para mais informações consulte o artigo: “Canadianas: como usar corretamente?”.
  1. Medicação: pode em alguns casos contribuir para o aumento do risco de queda, para evitar que tal aconteça, deve aconselhar-se com o seu médico regularmente, verificando os seus efeitos benéficos e adversos, assim como as consequências no seu dia a dia (sonolência, fraqueza muscular, alteração do equilíbrio, vertigem e hipotensão).(8)
Fatores de risco da sua casa:

O piso e a iluminação são as principais razões para ter uma queda.(4,5)

  1. Piso: deve evitar caminhar em piso escorregadio, limpando todo e qualquer líquido que seja derramado, ao mesmo tempo que mantem as zonas de passagem sempre iluminadas, desimpedidas (sem tapetes, fios elétricos ou outros objetos) e ter corrimão nos locais de degraus e/ou escadas.(4,5)
  1. Iluminação: durante a noite é aconselhado acender a luz e/ou ter uma luz de presença sempre acesa para poder caminhar com maior segurança.(4)
  1. Casa de banho: podem ser instaladas barras de apoio e, dependendo do seu caso pode ser aconselhado base de duche com antiderrapante ou cadeira de banho.

Numa avaliação ao domicílio para além de verificar os seus fatores de risco pessoais conseguimos também verificar os fatores de risco da sua casa, isto permite uma melhor adaptação destas e outras estratégias a si.

Considerações Finais

A redução de um ou dois fatores de risco não é suficiente para a diminuição real do risco de queda, este é um problema multidimensional que requer geralmente o apoio de uma equipa multidisciplinar, com intervenção em várias áreas.

Os últimos anos de vida não devem ser vividos com baixa qualidade de vida, sobretudo quando é nessa altura que somos detentores da maior parte do nosso conhecimento.

Se tem limitações no seu dia a dia, acredite, não tem de ser assim, procure ajuda especializada!

Estamos disponíveis para o aconselhar e ajudar com toda a segurança necessária e imposta por estes tempos, por isso mesmo não hesite em contactar o CMM – Centros Médicos e Reabilitação ou o seu Fisioterapeuta para mais esclarecimentos.

Autora

Catarina Lourenço, Fisioterapeuta (C-060273070) no CMM – Centro Médico de Alverca, com interesse pelas áreas do Envelhecimento Ativo e Oncologia.

Revisão da Literatura

1.https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpgid=ine_main&xpid=INE&xlang=pt
2.Sherrington, C., Fairhall, N. J., Wallbank, G. K., Tiedemann, A., Michaleff, Z. A., Howard, K., Clemson, L., Hopewell, S., & Lamb, S. E. (2019). Exercise for preventing falls in older people living in the community. The Cochrane database of systematic reviews, 1(1), CD012424. https://doi.org/10.1002/14651858.CD012424.pub2
3.Al-Aama T. (2011). Falls in the elderly: spectrum and prevention. Canadian family physician Medecin de famille canadien, 57(7), 771–776. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3135440/
4.Granacher, U., Muehlbauer, T., Gollhofer, A., Kressig, R. W., & Zahner, L.(2011). An intergenerational approach in the promotion of balance and strength for fall prevention – a mini-review. Gerontology, 57(4), 304–315. https://doi.org/10.1159/000320250
5.Day, L., Fildes, B., Gordon, I., Fitzharris, M., Flamer, H., & Lord, S. (2002). Randomised factorial trial of falls prevention among older people living in their own homes. BMJ (Clinical research ed.), 325(7356), 128.
https://doi.org/10.1136/bmj.325.7356.128
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12130606/
6.WHO Guidelines on Physical Activity and Sedentary Behaviour: at a glance. Genebra: World Health Organization (2020)
https://www.who.int/publications/i/item/9789240014886
7.Matthew Bryan Liston, Doris-Eva Bamiou, Finbarr Martin, Adrian Hopper, Nehzat Koohi, Linda Luxon, Marousa Pavlou, Peripheral vestibular dysfunction is prevalent in older adults experiencing multiple non-syncopal falls versus agematched non-fallers: a pilot study, Age and Ageing, Volume 43, Issue 1, January 2014, Pages 38–43, https://doi.org/10.1093/ageing/aft129
8.Huang, E. S., Karter, A. J., Danielson, K. K., Warton, E. M., & Ahmed, A.T.(2010). The association between the number of prescription medications and incident falls in a multi-ethnic population of adult type-2 diabetes patients: the diabetes and aging study. Journal of general internal medicine, 25(2), 141–146.
https://doi.org/10.1007/s11606-009-1179-2

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