Efeito do Pilates na redução da Diástase Abdominal

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Publicado em:
16 Dezembro, 2021

A “Gravidez” é uma das fases mais importantes na vida de uma mulher. É um processo fisiológico normal que é normalmente experienciado por mulheres saudáveis durante a sua vida.

Durante a gravidez há várias alterações anatómicas e fisiológicas. O útero aumenta 5 a 6 vezes em tamanho. E cada célula muscular do útero, no final da gravidez aumentou aproximadamente 10 vezes. Os músculos abdominais, particularmente ambos os lados do reto, vão ser esticados até ao seu limite elástico, levando a uma diminuição da capacidade muscular de gerar uma forte contração abdominal.(1)

O que é a Diástese Abdominal (DA)?

A Diástase Abdominal (DA) é uma condição em que o músculo reto abdominal se separa na linha média na linha alba. A diástase é o intervalo entre o músculo reto abdominal superior a 25 mm.(2)

A avaliação de uma DA é feita usando como critério uma separação de mais de 2 cm num ou mais pontos da linha alba, incluindo o nível do umbigo ou 4,5 cm acima ou abaixo dele ou uma protuberância visível da linha média quando em esforço.(3,6)

A DA é relativamente comum e causa um impacto negativo na saúde da mulher durante e após a gravidez (períodos pré e pós-parto).(7,8)

Quando se manifesta?

Manifesta-se normalmente no segundo trimestre da gravidez, e afeta quase todas as mulheres grávidas, uma vez que entre 66% a 100% experienciam DA durante o terceiro trimestre, enquanto que quase metade das mulheres até 53% apresentam sintomas imediatamente após o nascimento do bebé, devido ao stress muscular que ocorre durante parto.(9,10)

Fatores de risco:

Os fatores de risco da diástase abdominal são o aumento dos níveis de relaxina, progesterona e hormonas estrogénicas que causam o relaxamento dos tecidos conjuntivos e enfraquecimento da linha alba, a idade – mulheres com mais de 35 anos, elevado peso da criança à nascença, múltiplas gravidezes, cesariana, e exercícios abdominais excessivos após o primeiro trimestre de gravidez, perda excessiva de peso que ocorre após uma cirurgia bariátrica, cirurgia abdominal.(11,12)

A DA causa grandes complicações de saúde, tais como dores lombares persistentes, em mulheres durante o pós-parto. As mulheres com DA apresentam uma maior probabilidade de ter um maior grau de dor, na região abdominal e pélvica. Em média quatro em cada dez mulheres referem dores lombares persistentes (dor lombar pélvica) nos primeiros 6 meses após o parto.(13)

Para muitas mulheres a DA não se resolve espontaneamente e pode mesmo durar muitos anos.(14)

Estudos científicos têm comprovado que existe uma relação entre a DA e a incontinência urinária de esforço, incontinência fecal, e o prolapso de órgãos pélvicos, e a incidência de DA na população de doentes uroginecológicos é de 66%.(15)

Em doentes com perturbações uroginecológicas, 52% foram diagnosticados com DA e 66% tinham pelo menos um tipo de disfunção do pavimento pélvico.(16)

À medida que a gravidez progride, o peso e tamanho do útero aumenta, influenciando a morfologia músculo-esquelética do tronco, aumentando a distância entre as inserções musculares, e produzindo alongamentos musculares.(17)

O músculo transverso abdominal, o pavimento pélvico, o multífido profundo e o diafragma ou os músculos estabilizadores profundos formam um cilindro muscular, que suporta a coluna vertebral e a pélvis; estes músculos trabalham em conjunto como uma unidade para assegurar e manter a estabilidade do tronco.(18,19)

É essencial o reforço dos músculos estabilizadores profundos da região abdominal inferior durante o período de pós-parto, uma vez que ajuda a criar um “espartilho” muscular. Isto apoia a coluna vertebral e as costas, diminui a separação abdominal, tonifica os músculos e alivia a tensão muscular causada pelos movimentos físicos repetitivos.(20)

Pilates Clínico

O Pilates tem sido conhecido por melhorar a força e flexibilidade dos músculos, particularmente os músculos abdominais, lombares, das ancas e nádegas, isto é, a musculatura estabilizadora profunda, ajudando assim a melhorar a estabilidade do tronco. O Pilates pode ser uma forma aeróbia e não aeróbia de exercício. Requer concentração e precisão. O Pilates alonga todos os principais grupos musculares do seu corpo de uma forma equilibrada. O principal requisito do Pilates, é encontrar um ponto central para controlar o seu corpo durante o movimento. Cada exercício tem um ritmo, e padrão respiratório pré-definidos. Durante o Pilates, não há esforço ou suor, uma vez que os músculos não são trabalhados até à exaustão, mas sim com uma intensa contração.(21)

Um estudo publicado em 2021 concluiu que as mulheres durante o período do pós-parto beneficiaram mais de um programa de Pilates (ao longo de 6 semanas) do que o programa de exercícios convencionais. Havia uma maior diminuição da distância de separação do reto abdominal no grupo experimental, quando em comparação com o programa de exercício convencional. Sendo assim, pode-se concluir que o Pilates é eficaz na redução da separação de DA no pós-parto depois de completado um plano de 6 semanas.(22)

Autora

Ana Carapeto, Fisioterapeuta no CMM-Brentford, Londres.

Revisão da Literatura

1)Kisner C, Colby LA, (2007). Therapeutic exercises, womens health: obstetrics and pelvic floor.
2)Acharry N, Krishanan Kutty R., (2015). Abdominal exercises with bracing. A Therapeutic Efficacy in reducing Diastasis recti among postnatal females. International Journal of Physiotherapy and Research.
3)Chiarello CM, Falzone LA, McCaslin KE, Patel MN, Ulery KR, (2005). The effects of an exercise program on diastasis recti abdominis in pregnant women. J Womens Health Phys Therap.
4)Lo T, Candido G, Janssen P., (1999) Diastasis of the recti abdominis in pregnancy: risk factors and treatment. Physiother Can.
5)Gilleard WL, Brown JM., (1996) Structure and function of the abdominal muscles in primigravid subjects during pregnancy and the immediate postbirth period. 
6)Noble E., (1995) Essential exercises for the childbearing year:a guide to health and comfort before and after your baby is born. 4th ed. Harwich, MA: New Life Images.
7)Boissonnault JS, Blaschak MJ., (1988). Incidence of diastasis recti abdominis during the childbearing year. Phys Ther.
8)Benjamin DR, van de Water AT, Peiris CL., (2014) Effects of exercise on diastasis of the rectus abdominis muscle in the antenatal and postnatal periods:a systematic review. Physiotherapy.
9)Hanneford R, Tozer J, (1985) An investigation of the incidence, degree and possible predisposing factors of the rectus diastasis in the immediate postpartum period. J Nat Obstet Gynaecol. 
10)Candido G, Lo T, Janssen P., (2005) Risk factors for diastasis of the recti abdominis. J Assoc Chart Physiother Womens Health. 
11)Benjamina D R, A.T.M. van de Water, Peiris C L., (2014) Effects of exercise on diastasis of the rectus abdominis muscle in the antenatal and postnatal periods: a systematic review. Published by Elsevier.
12)Chiarello M C, Falzone A L, McCaslin E K , Patel M, Ulery K., (2015). The Effects of an Exercise Program on Diastasis Recti Abdominis in pregnant Women. Journal of women‟s health physical therapy. 
13)Parker M, Millar L, Dugan S., (2009). Diastasis rectus abdominis and lumbo-pelvic pain and dysfunction – Are they related? J Womens Health Phys Therap.
14)Ranney B., (1990). Diastasis recti and umbilical hernia causes, recognition and repair. S D J Med. 
15)Spitznagle TM, Leong FC, Van Dillen LR., (2007) Prevalence of diastasis recti abdominis in a urogynecological patient population. Int Urogynecol J Pelvic Floor Dysfunct.
16). Parker M, Millar L, Dugan S., (2009). Diastasis rectus abdominis and lumbo-pelvic pain and dysfunction – Are they related? J Womens Health Phys Therap. 
17)Prevalence of diastasis of the rectus abdominis muscles immediately postpartum: comparison between primiparae and multiparae; Rett MT1,2, Braga MD2 , Bernardes NO1,2, Andrade SC2
18)Willson JD, Dougherty P, Ireland ML, Davis IM., (2005). Core stability and its relationship to lower extremity function and injury, American academy of orthopaedic surgeons, J Am Acad Orthop Surg.
19)Akuthota V, Ferreiro A, Moore T, Fredericson M., (2008) Core Stability Exercise Principles. Curr Sports Med Rep.
20)El-Mekawy H, Eldeeb A, El- Lythy M, El-Begawy A., (2013). Effect of Abdominal Exercises versus Abdominal Supporting Belt on Post-Partum Abdominal Efficiency and Rectus Separation. Int J Med Health Sci.
21)Pilates Method Alliance, An Exercise in Balance: The Pilates Phenomenon.
22)Ravikantiwar V., M Afle G., (2021). Effectiveness of 6 week Pilates training on diastasis recti in post partum women-A pilot study. International Journal of Educational Research and Studies.

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