Pilates Clínico

O que é o Pilates Clínico?

Ouvimos muitas vezes alguém dizer que conhece outra pessoa praticante de Pilates, ou que até andam a pensar em experimentar há já algum tempo, ou que o médico de família lhes recomendou. Até mesmo utentes que referem que praticam já Pilates.

Mas sabem o que realmente é o Pilates Clínico? Sabem um pouco acerca da história e como surgiu?

O que é o Pilates?

Em 1880, nasceu na Alemanha o homem que viria a iniciar este método, Joseph Humbertus Pilates. Em criança, sofreu de asma e febre reumática, no entanto, determinado em superar as sequelas e tornar-se um adulto saudável, ainda em jovem estudou e iniciou a prática de yoga e meditação. Mais tarde, em Nova Iorque, 1960 abriu um estúdio ao qual chamou “The Pilates Studio”.

No ano de 2000, dois fisioterapeutas australianos foram para Londres estudar a relevância do Pilates na Reabilitação. Ao notarem uma lacuna na reabilitação por movimento, adaptaram o método Tradicional do Pilates a um novo método de Pilates adaptado à reabilitação.

O que é o Pilates adaptado à Reabilitação?

É um método que contém 34 exercícios estratificados por níveis de dificuldade que engloba treino de estabilidade dinâmica, que assenta em 8 princípios:

  1. Concentração – é fundamental para qualquer atividade e exercício! Mais importante do que a quantidade, é a qualidade do exercício. Para tal deve concentrar-se nos exercícios para ganhar consciencialização corporal;
  2. Respiração – pretende-se que o movimento seja realizado de modo a existir um padrão de movimento funcional. Respiração pela grade costal inferior! O que é? Na inspiração a grelha costal sobe e afasta-se, na expiração a grelha costal baixa e une-se. Como é durante o movimento que há maior instabilidade, é durante da expiração (em que a grelha costal está baixa e unida) que se realiza o movimento de modo a contrariar essa instabilidade;
  3.  Centro – é considerado o foco principal do Pilates! Os músculos do “centro”, “power house” ou “core” são aqueles que se pretendem fortalecer. Adotando uma posição neutra, há uma co-ativação mais isolada, facilitando ainda a co-ativação de músculos.
  4. Controlo – como em todos os movimentos e exercícios de qualquer método, os movimentos devem ser feitos com calma e tranquilidade, porque não estamos contra-relógio! Controlo da respiração, movimento, sequência e mudanças de posicionamento.
  5. Precisão – os movimentos devem ser precisos. O instrutor deve ajudar os utentes com comandos verbais e táteis para aperfeiçoarem os movimentos.
  6. Fluidez do movimento – no Pilates Clínico, entende-se como a integração dos movimentos e respiração.
  7. Isolamento integrado – associação dos exercícios realizados no Pilates clínico e os exercícios do quotidiano. O objetivo, não é por isso ensinar o exercício perfeito mas sim que o utente os consiga integrar no dia a dia.
  8. Rotina – praticar Pilates Clínico como rotina, realizar os “TPC’s” entre classes é essencial para se integrar todos os 7 princípios anteriores.

Muita informação? Muito bem, como em tudo, sugiro que comece pelo início! Por onde começar, então?

Os 5 elementos chave!

  1. Respiração lateral e costelas inferiores;
  2. Centro;
  3. Reposicionamento da grelha costal;
  4. Reposicionamento da cintura escápula-torácica;
  5. Reposicionamento da cabeça e pescoço.
O Pilates Clínico está indicado para quem? Posso ou devo continuar a praticar?

O Pilates Clínico pode ser praticado por todos os membros da família! Desde as crianças, aos idosos, não esquecendo a mamã, o papá, os irmãos desportistas, o familiar com doença neurológica ou demência, a tia com dor na coluna e o primo com má flexibilidade. Na verdade o Pilates Clínico pode ser usado como adjuvante à reabilitação de qualquer utente.

Benefícios do Pilates Clínico

O que realmente melhora? Testemunhos de quem pratica:

  1. Melhora a postura, saúde e capacidade/resistência física;
  2. Ajuda na reabilitação após lesão, cirurgia ou doença;
  3. Consciencialização corporal;
  4. Desenvolvimento das capacidades do corpo, inclusive movimento;
  5. Melhora a respiração;
  6. Ajuda na incontinência urinária;
  7. Melhora a relação sexual;
  8. Promove o relaxamento;
  9. Melhora a auto-estima;
  10. Faz sentir-se melhor!

De acordo com revisões da literatura, o método:

  • Melhora equilíbrio dinâmico – aumento do equilíbrio estático e dinâmico a curto prazo (5 semanas) e a sua manutenção a longo prazo (12 semanas);
  • Mobilidade da coluna;
  • Estabilidade da coluna pelo fortalecimento dos músculos do soalho pélvico, transverso abdominal e multífido;
  • Diminui a percentagem de massa gorda e aumenta a magra;
  • Melhora a flexibilidade;
  • Melhora a força;
  • Diminui o tempo de reação;
  • Diminui o risco de quedas;
  • Diminui a Pressão Arterial Sistólica.
Posso praticar Pilates em casa?

Quem está familiarizado com o método, é uma excelente oportunidade para o expandir aos elementos da família, e, todos juntos, praticarem! Passando assim tempo de qualidade e em segurança!
Aqueles que não conhecem o método, deverão contactar o seu Fisioterapeuta – que com certeza, se disponibilizará em ajudá-lo! 

Não se esqueça, neste tempo de emergência, fique em casa, proteja-se a si e aos seus! Seja um Agente de Saúde Pública! Mantenha-se ativo e saudável!

Autora

Andreia Afonso, Fisioterapeuta (C-061747076) no CMM- Aveiro: ERS Nº E124106 | Lic. Func.: 8894/2014 | Tlf: 234021610

Revisão da Literatura

Aduaneira AT e. Ficha Doutrinária. Vol 00.; 2018.

Pilates Foundation. https://www.pilatesfoundation.com/. Accessed March 21, 2020.

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