Tenossinovite de Quervain

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Publicado em:
7 Outubro, 2020

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Tenossinovite de Quervain
Como se define a Tenossinovite de Quervain?

Esta patologia é descrita como uma estenose (estreitamento) do primeiro compartimento dorsal da mão, causado por um microtrauma por deslizamento repetitivo dos tendões desse compartimento (Abdutor Longo do Polegar ou APL e Extensor Curto do Polegar ou EPB).

As principais queixas do utente envolvem dor na zona radial do punho, que agravam com os movimentos do polegar, e ocasionalmente com edema local associado. (1)

Fig.1 – Tendões do Polegar (2)                       

Fig. 2Representação da área de dor

Qual a sua incidência?

Verifica-se que esta patologia ocorre com mais frequência em adultos entre os 30 a 50 anos, com mais incidência no sexo feminino. (4)

Quais as causas da Tenossinovite de Quervain?

Os movimentos predisponentes incluem agarrar com força e com desvio cubital ou uso repetitivo do polegar e que inclui muitas atividades desportivas, como golfe, pesca e desportos com raquete.(1)

Existem também outros fatores que aumentam a possibilidade de desenvolver Tenossinovite. Entre os mais descritos, encontram-se os movimentos repetitivos e sobrecarga articular em ambiente laboral, traumas e alterações hormonais, como o que sucede durante a gravidez. (3)

Quais os fatores de risco?

Não existe evidência científica que permita relacionar um número maior de casos de Tenossinovite de Quervain com determinadas atividades manuais ou profissões de risco em específico. No entanto, e verificando o historial do utente, esta patologia surge com frequência em indivíduos com determinados fatores, tais como a idade, braço dominante e presença de outras condições médicas. (14)

Como é diagnosticada?

No diagnóstico clínico, o Médico recorre a um exame físico com base nos sintomas do utente e que engloba a realização de diversos testes, com manobras específicas.

O Teste de Finkelstein é aplicado combinando os movimentos passivos de flexão do polegar e desvio cubital do punho. Um sinal positivo provoca dor ao longo de toda a região radial.(5)

Fig. 3 – Teste de Finkelstein (5)

O teste de Eichoff é semelhante ao anterior. No entanto, pede-se ao paciente que agarre e fixe o seu próprio polegar em flexão, usando os outros dedos, enquanto realiza um movimento ativo de desvio cubital do punho. (6)

Perante um quadro congruente com Tenossinovite de Quervain, pode-se confirmar através de exames de imagiologia, nomeadamente a ecografia, apesar de esta não ser necessária para o diagnóstico, na maioria dos casos.

Como o Profissional de Saúde pode ajudar o utente?

O tratamento da Tenossinovite de Quervain irá depender grau de severidade, sendo sempre dada preferência a uma intervenção não- invasiva.

1. Ortótese

A imobilização do punho e do polegar ajuda a reduzir a dor, enquanto potencia a capacidade dos utentes para continuar a participar nas suas atividades da vida diária.(7) O uso de ortóteses estabiliza a articulação interfalângica do polegar, evitando movimentos que agravem a estenose do primeiro compartimento dorsal. (8)

A escolha do tipo de tala depende da intensidade da dor e das necessidades funcionais do paciente. Um exemplo desta situação é o facto de muitas pessoas não se conseguirem adaptar a talas muito rígidas. Devido a estes motivos, deverá ser sempre prescrita por um Profissional de Saúde. (5)

Fig. 5 – Exemplos de talas (5)

2. Fisioterapia

O utente irá beneficiar com os tratamentos de Fisioterapia em todo o processo após a lesão, seja no pré ou pós – cirúrgico. O Fisioterapeuta ajudará a diminuir qualquer edema que se verifique, manter e melhorar a flexibilidade da mão e punho, assim como a amplitude de movimento e aumentar a força muscular, permitindo, desta forma, que a pessoa retome as suas atividades de vida diária com segurança.

Existem diversos tratamentos que comprovaram ser eficazes nesta patologia. Entre eles podemos encontrar: (9)

  • Massagem com incidência na musculatura mais tensa.
  • Exercícios de fortalecimento, realizados dentro de uma amplitude de movimento ativo sem dor, com foco no punho e articulações do polegar.
  • Ensino de técnicas e alterações ergonómicas em casa e no local de trabalho, que permitam tornar as atividades realizadas eficientes e com o menor dor possível.

3. Técnicas infiltrativas

A ausência de resposta mesmo tendo cuidados ergonómicos e realizando programa de Fisioterapia, o Médico Fisiatra ou Ortopedista poderá sugerir uma infiltração peritendinosa com corticóide. Utilizando referências anatómicas de superfície ou com apoio de um ecógrafo é realizada.

Geralmente é recomendado descanso nas 24 a 48 horas seguintes, esperando-se obter efeito na dor e funcionalidade do polegar em uma semana.(12, 13)

4. Cirurgia

Como descrito anteriormente, é sempre dada preferência a um tratamento não- invasivo.

No entanto, a cirurgia deve ser considerada em situações nas quais não se verifiquem melhorias do quadro clínico num período de 3 a 6 meses com outros tipos de intervenções. Entre as diversas técnicas cirúrgicas descritas, um dos principais objetivos que é transversal a todas é a descompressão do primeiro compartimento dorsal. (10)

Fig. 6 – Cirurgia de libertação da bainha do tendão (11)

Esta lesão / condição pode ser prevenida?

É possível prevenir a Tenossinovite de Quervain. Alguns fatores não podem ser controlados, tais como o sexo, a idade ou a raça. No entanto, o seu Médico ou fisioterapeuta terá um conjunto de recomendações, que visam principalmente evitar a sobrecarga do punho e polegar, tais como:

  • Evitar os movimentos repetitivos da mão e que impliquem a aplicação de força excessiva;
  • Evitar o uso excessivo dos polegares para enviar mensagens de texto e jogar;
  • Praticar desportos que minimizem a tensão no punho e no polegar.

A Tenossinovite de Quervain é uma patologia que limita a pessoa a nível pessoal, social e profissional, tendo, portanto, uma enorme interferência na sua qualidade de vida. Por esse motivo, é importante que, caso se verifiquem alguns dos sintomas descritos, o utente procure o seu Médico, através da qual se faça um correto diagnóstico e a partir daí desenvolver um plano de tratamento.

Nas sessões de reabilitação, o Fisioterapeuta pode ensinar posições corretas e seguras adaptando um plano individual a cada pessoa, incluindo todas as suas atividades diárias em casa, assim como a nível profissional.

Em contexto laboral, caso as queixas se prolonguem no tempo, a avaliação pelo Médico do Trabalho pode ser necessária, para efeito de Doença Profissional.

Autor

Diogo Monge Fisioterapeuta (C-047398078) no CMV – Centro Médico de Viseu: ERS Nº E101308 | Lic. Func.: 16687/2018.

Artigo revisto em parceria com o Dr. Luís Boaventura (OM 48618) , Médico Especialista em Medicina Física e de Reabilitação

1. Howell, E. R. (2012). Conservative care of De Quervain’s tenosynovitis/ tendinopathy in a warehouse worker and recreational cyclist: a case report. J. Can. Chiropr. Association. 56(2), 121- 127.
2. Shebab, R., Mirabelli, M. H. (2013). Evaluation and Diagnosis of Wrist Pain: A Case-Based Approach. American Academy of Family Physicians. 87 (8), 568 – 573.
3. Stahl, S., Vida, D., Christoph Meisner, C., Adelana Santos Stahl, A. D., Hans-Eberhard Schaller, H., Manuel Held, M. (2015). Work related etiology of de Quervain’s tenosynovitis: a case-control study with prospectively collected data. BMC Musculoskeletal Disorders. 16 (126), 1-10.
4. Inam M., Ihsanullah, Khalid, Ali, M. A., Shabir M. (2020). Thumb Spica Cast For the Management of De Quervain, S Tenosynovitis. Open Journal of Surgery. 4(2), 33-36.
5. Allbrook, V. (2019). “The side of my wrist hurts”: De Quervain’s tenosynovitis. AJGP. 48 (11), 753-756.
6. Dawson, C., Mudgal, C. S. (2010). Staged Description of the Finkelstein Test. J. Hand Surg. 35ª, 1513-1515.
7. Ippolito, J. A., Hauser, S., Patel, J., Vosbikian, M., Ahmed, I. (2018). Nonsurgical Treatment of De Quervain Tenosynovitis: A Prospective Randomized Trial. American Associaton for Hand Surgery. 1-5
8. Huisstede, B. M., Gladdines, S., Randsdorp, M. S., Koes B. W. (2018). Effectiveness of conservative, surgical and postsurgical interventions for trigger finger, Dupuytren disease and De Quervain disease: A systematic review. Archives of Physical Medicine and Rehabilitation. 99(8), 1635- 1649.
9. Goel, R., Abzug, J. M. (2014). De Quervain’s tenosynovitis: A review of the rehabilitative options. American Association for Hand Surgery. 10(1), 1-5.
10. Garçon, J. J., Charrau, B., Marteau, E., Laulan, J., Bacl, G. (2018). Results of surgical treatment of De Quervain’s tenosynovitis: 80 cases with a mean follow-up of 9.5 years. 104, 893- 896.
11. De Quervain’s Tenosynovitis. (2010). Krames. Patient Education.
12. Richie III, C. A., Briner Jr., W. W. (2003). Corticosteroid Injection for Treatment of de Quervain’s Tenosynovitis: A Pooled Quantitative Literature Evaluation. JABFP. 16 (2), 102 – 106.
13. Oh, J. K., Messing, S., Ollivier Hyrien, O., Hammert, W. H. (2017). Effectiveness of Corticosteroid Injections for Treatment of de Quervain’s Tenosynovitis. American Association for Hand Surgery. 12 (4), 357- 361.
14. Adachi, S., Yamamoto, A., Kobayashi, T., Tajika, T., Kaneko, T., Shibusawa, K., Takagishi, K. (2011). Prevalence of de Quervainʼs Disease in the General Population and Risk Factors. Kitakanto Med. J. 61, 479 – 482.


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